
Nos últimos dez anos, houve uma mudança no perfil do vencedor do Oscar. Foram
preteridos filmes de ficção (que na minha opinião pessoal é a vocação do cinema, pois é a arte a serviço da criação, da inovação das idéias, dos sonhos impossíveis), em favor de filmes com aspectos psicológicos que mostrassem as fraquezas humanas, o que ao meu ver é limitante. Mostrar o homem conquistando o espaço ou o homem lutando contra o vicio da heroína? Bem, o caso é que nos últimos 40 anos, apenas uma comédia recebeu o Oscar de Melhor Filme.
A mudança na avaliação pode estar ocorrendo devido ao aumento do número de jurados e ao distanciamento ideológico (ou falta dele). Todo indicado ao Oscar vira um eleitor no ano seguinte, Fernanda Montenegro e os cineastas Walter Salles, Bruno Barreto e Fernando Meirelles são alguns dos poucos brasileiros habilitados a votar.
Segue a lista aleatória dos erros crassos da Academia!
1º Em 2006 o oscar foi para o horrível Crash - No Limite. A pretexto de falar de racismo, o filme foi exageradamente valorizado por supostamente "denunciar" o racismo americano. Embora as tribos na America realmente sejam muito segmentadas, a discussão foi inútil e só serviu para reforçar o preconceito, já que o problema americano é menos o racismo, e mais o choque entre culturas, brutal entre descendentes de europeus (americano comum) e os afro-descendentes (incluindo muçulmanos). O fato é que Crash venceu Brokeback Mountain, muito mais oportuno por falar do preconceito contra gays, extremamente atual. O Maior absurdo nisso tudo? A Casa do Lago, um dos melhores daquele ano, sequer foi indicado.
2º Em 2003 Chigaco tirou o prêmio das mãos de O Senhor dos Anéis - As duas Torres (cujo primeiro filme já havia perdido o Oscar para o excelente Mente Brilhante) e, pior, venceu "O Pianista", um épico da 2ª Guerra Mundial que aborda o drama dos judeus, um extraordinário filme, com uma densidade psicológica e uma relevância na história humana que Chicago, com uma discussão sobre assassinatos de maridos, presidiárias e showbiz jamais poderia ter. Foi um verdadeiro acinte esse Oscar...
3º Em 2008, o inexplicável Onde Os fracos Não Tem Vez, venceu o Oscar. Mas como? O filme é um absurdo, conta a história de um sociopata que decide a sorte alheia no cara e coroa. Sem objetivo, sem explicação, a pessoa sai do cinema como entrou, só que meio tonta com a quantidade de sangue que teve que assistir... Em defesa da academia diga-se que esse ano foi muito fraquinho, ele concorreu com Sangue Negro (outro filme incoerente apesar de interessante) e Juno (que conta a história de uma adolescente grávida, o que não chega a ser um problema nos EUA)
4º Em 2010, Guerra ao Terror venceu Avatar. O tal vencedor é extremamente monótono, conta uma história de desarmadores de bomba muito irrelevante (para merecer um premio internacional) se prendendo a aspectos psicológicos humanos como o medo e a amizade. Como um documentário pra passar no sábado a noite seria interessante, mas pesou aí o tal patriotismo exarcebado do americano. Já Avatar trazia a baila a questão da proteção ambiental em detrimento da necessidade de desenvolvimento industrial, alertando o telespectador para os aspectos da inter-dependência entre a natureza e os seres vivos. Um Oscar inexplicável que me fez pensar na sanidade mental dos avaliadores...
5º Em 2005, o tosco Menina de Ouro venceu o prêmio, concorrendo com dois emblemas da garra americana, Ray (biografia do músico Ray Charles), e o excelente O aviador, com Di Caprio. O filme conta a história de uma menina boxeadora muito talentosa que numa luta suja, termina parando no hospital e perdendo a perna. Por causa disso quer se suicidar e seu treinador a ajuda praticando eutanásia. Mostra como é fácil vencer os outros mas como é difícil vencer a si mesmo, um show de vaidade e fraqueza mental. O pior é que essa história aí foi aclamada...
Outras incoerências do prêmio:
Em 2009, Quem quer ser um milonario, venceu Benjamim Button, injusto, mas não absurdo.
Em 1999, Shakespeare apaixonado, que é muito bobo pelo enredo, venceu A Vida é bela e O resgate do soldado Ryan. Injusto.
Em 1985, Amadeus venceu o Oscar em detrimento de Gritos do Silencio. A história de Amadeus Mozart é contada em longas três horas e longe de ser interessante, não merecia sequer a indicação (embora bem produzido e com atores convincentes).
Em 1978, Guerra nas Estrelas perdeu o Oscar para Noivo Neurótico, Noiva Nervosa. Injusto.
Grandes sucessos de bilheteria como Indiana Jones e O Exterminado do Futuro, nunca foram indicados a melhor filme. Até a estréia de Up - Altas Aventuras, em 2009, apenas A Bela e A Fera havia sido indicada para concorrer a melhor filme ( e não somente melhor animação).
Melhor Sorte em 2011!







1 comentários:
Concordo na maior parte dos comentários principalmente em relação ao nauseante "Guerra ao terror" o filme é apenas uma demonstração do ego dos norte americanos e conta a história forçada de um desarmador de bombas, quase vomitei no momento em que a cidade foi evacuada e os militares poderiam partir, mas o orgulhoso protagonista não poderia ser vencido pela bomba e preferiu arriscar a vida desarmando a bomba por puro orgulho. Filme horrível e que, na minha humilde opinião, nem deveria estar competindo a Oscar.
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